domingo, 12 de janeiro de 2014

BARCELOS

Cidade portuguesa da regiom do Minho com cerca de 20.600 habitantes.

Em 1177 Barcelos recebeu polas mãos de D. Afonso Henriques a carta foral e em 1227 a cidade começava a chamar mais populaçom.

A existência dum bairro exclusivo para Judeus em Barcelos aparece documentada em 1369 e estaria situado nas proximidades do Hospital, no eixo que ligava o Lugar da Cruz à Praça da Vila. 

Possuía umha sinagoga e portões em cada extremidade. O edifício da Sinagoga situava-se no lado poente, num local atualmente ocupado polo edifício da Câmara Municipal. Num dos arrabaldes da povoaçom estava o cemitério judaico, cujo local nom se pode já identificar.

A Judiaria de Barcelos ficava na Rua Nova, que depois chamou-se Rua dos Lanterneiros (atualmente Rua do Infante D. Henrique).
Localizaçom da judiaria barcelense. GoogleMaps
Aquando a expulsom, tratava-se dumha comunidade pequena e contava com dous rabinos. À comuna judaica integravam-se um outro grupo de cristãos-novos vindos doutras localidades, notadamente Guimarães e Porto. Doravante, as fronteiras étnicas foram-se erodindo quer polo casamento, quer pola conversom. A impressom é que os descendentes destes troncos judaicos tinham se integrado ao projeto da nacionalidade e religiom única católica. Como mostra da hostilidade local, basta destacar alguns apelidos dados aos membro da comunidade para sentir este desprezo, dentre outros, o “Capado” (Henrique Gonçalves, filho de Salomão Pés e neto do Rabino Cohen) ou os “Pintadiabos” (família de João Pires Nunes). 

Porém sessenta anos depois desta Conversom, forçosa e observado o prazo da tolerância para a inserçom, a Inquisiçom prendeu 23 cristãos-novos de Barcelos. Polos depoimentos é possível constatar que ainda restavam traços do Judaísmo nestas pessoas. Quase todos ainda “guordava ho sábado milhor q. pudia”, “assendia as suas candeias” e vestiam “camisas lavadas”. Lembravam-se do Yom Kippur (Dia do Perdão), “não comendo senão hua vez a noute”. Jejuavam várias vezes, o jejum da Rainha Esther e “o da destruição do tempollo de Jerusalém” (o 9 de Av). Observavam o Pessach (Páscoa). Guiomar Fernandes casherizava (fazia a comida de acordo com as leis alimentares judaicas), “desnervava a carne”. Todos acreditavam que “não era vyndo o mexias”. Maria Zores acrescentava que “avia de vir ate ho anno de sessenta”.

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