segunda-feira, 18 de novembro de 2013

ÉVORA

Cidade portuguesa, capital da regiom do Alentejo, com umha populaçom de 49.300 habitantes. É a única cidade portuguesa membro da Rede de cidades europeias mais antigas.

Ocupada polos Mouros, foi "libertada" em 1165 por Giraldo o Sem Pavor, um cavaleiro cristão ao serviço de Afonso Henriques. O primeiro monarca português converteu a cidade num centro estratégico e político importante, concedendo-lhe foral em 1166 e estabelecendo nela a sede da Ordem Militar de São Bento de Calatrava (mais tarde Ordem de Avis).

Desde a idade media que Évora era a segunda cidade portuguesa e devido também a essa importância muitas vezes aqui se reuniu a Corte nos reinados de D. Afonso III, D. Dinis, Afonso IV, D. Pedro I e D. Fernando, o que contribui para o seu desenvolvimento e enriquecimento.


Esta crescente importância da cidade e o seu poder atrativo, conduziam a movimentos migratórios em relaçom a Évora. É por todo isto que a Judiaria se tornou numha das mais importantes e populosas do país. 

Nos finais do século XIII tem lugar a provável implantaçom dumha primeira Judiaria, chamada Judiaria Velha, junto da Porta Nova dos Judeus, atual Rua 5 de Outubro, no corrimento da Alcáçova de Cima.

Em 1331 já é citada a Judiaria Nova, que corresponde à segunda Judiaria da cidade, ocupando os quarteirões ocidentais, compreendidos entre as ruas de Alconchel (atual R. Serpa Pinto) e do Raimundo, ao arrabalde da Palmeira, no término das Ruas de Alconchel e Raimundo. 

Já em 1408 foi solicitado o alargamento da Judiaria de Évora devido às vagas de migrações do povo hebreu do território espanhol. O rei D. João I ratifica a ampliaçom da Judiaria adicionando seis novas ruas e travessas, com o respetivo casario, ficando o encerramento do novo perímetro e o rasgar das novas portas a cargo da comuna.
Planta da cidade de Évora no século XIV

A herança judaica de Évora está hoje patente num vasto conjunto de portais ogivais góticos que se situam bem perto da Praça do Giraldo local dumha feira anual desde 1275 (Ruas do Reimondo, Moeda, Alconchel, Palmeira entre outras), Mercadores -agora Rua da República-, Tinhoso). 


R. da Moeda na judiaria de Évora. 
Durante o séc. XV a judiaria de Évora, um arruamento uniforme situado no interior das muralhas da cidade, chegou a ter duas sinagogas e todos os serviços inerentes a uma vasta comunidade: escola, hospital, estalagem, “mikve” (local de banhos rituais) e mesmo aí teria existido uma gafaria (leprosaria).

Alguns restos deste bairro judaico ainda podem ser vistos nas imediações do atual Convento das Mercas e o Museu de Artes Decorativas, na Rua de Raimundo e perto de Rua dos Mercadores. Na Travessa de Cima foi colocada umha placa comemorativa em memória dessa presença, no local onde ficavam os portões que levavam ao bairro judeu, e onde morou o humanista e cristão-novo Diogo Pires (1517-1559).

Existem dúvidas sobre os limites do bairro judeu de Évora, mas o espaço que é delimitado pola Praça do Giraldo, Rua da Palmeira, Rua de Alconxel e Rua do Raimundo forma um conjunto harmonioso, com umha muralha urbana com ruas estreitas que perdeu a sua unidade ao ser atravessada por umha nova via para a circulaçom rodoviária.


Acha-se que a Travessa do Sol, orientada norte-sul, teria sido em tempos Travessa de Solimão (Salomão). A Travessa Torta corresponderia a umha das portas ou saídas da Judiaria.


Situaçom do bairro judeu de Évora. Imagem do GoogleMaps
O bairro judeu de Évora é umha zona de traçado reticulado, estruturado em funçom dos eixos radiais fundamentais, R. de Alconchel, R. da Moeda, R. do Raimundo, R. dos Mercadores e R. da Cadeia ou das Estalagens (atual R. Romão Ramalho), com eixos secundários transversais e estes que formam quarteirões retangulares perpendiculares à Pr. do Geraldo. Esta é umha das malhas urbanas mais coesas de todo o conjunto, a par da zona de S. Mamede. Caracteriza-se por um tecido urbano muito denso, com lotes de pequenas dimensões e logradouros reduzidos. Predominam os edifícios de dous e três pisos, com grande incidência da tipologia plurifamiliar. Algumhas edificações ainda se podem ver restos da mezuzá, conservando algumhas o shema no seu interior.


Arruamento do bairro judeu de Évora. GoogleEarth

O prédio que atualmente alberga a Residência Portalegre há quatro séculos foi a Sinagoga Grande de Évora. Por volta de 1500 todas as casas da entom Rua da Esnoga Grande foram doadas a D. Diogo de Ortiz, bispo de Ceuta, que por seu turno as doou ao barom do Alvito, daí advindo o nome de Travessa do Barão, que ainda é o de hoje.

Banida a existência de Judeus no reino, em 1505, é demolida umha sinagoga que ainda se mantinha em Évora, com acusações de que os cristãos-novos ainda celebravam nela a páscoa judaica com os seus rituais. 

A Biblioteca pública possui ainda hoje raridades tais como o famoso Almanach Perpetuum de Abraham Zacuto (impresso em Leiria em 1496 e traduzido entom polo mestre José Vizinho) e o Guia Náutico de Évora (1516), obras que contribuíram para o avanço científico que Portugal registava entom sobre a Europa. Em Évora sediou-se também umha das 7 ouvidorias jurídicas (tribunais judaicos portugueses). Além disso o Museu de Évora alberga umha pedra com umha inscriçom hebraica datada de 1378.

A cidade foi igualmente sede dum dos tribunais da inquisiçom em Portugal, mais precisamente o que promoveu mais processos de acusaçom por judaísmo (cerca de 9.500). O Tribunal e o Palácio do Inquisidor de Évora encontram-se defronte ao museu de Évora e nas portas, ainda hoje, pode-se ver o brasom de armas do Santo Oficio.

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