sexta-feira, 17 de maio de 2013

A POLÍTICA DA URSS E DOS EUA NA FUNDAÇOM DE ISRAEL: 1943

Janeiro
Reune-se em Pittsburg pola primeira vez a Conferência Judaica Americana (American Jewish Conference) abrangendo 32 organizações judaicas. Foi convocada para decidir sobre o papel que a comunidade judia americana devia desempenhar para representar as procuras judaicas depois da guerra e ajudar a construir a Palestina judia.


19 - 30 de abril
Tem lugar nas ilhas Bermudas umha conferência internacional, conhecida posteriormente como de Conferencia das Bermudas, entre os Estados Unidos e a Gram-Bretanha sobre a questom dos refugiados judeus libertados polas forças aliadas e aqueles que ainda permaneciam na Europa ocupada polos nazistas.

O único acordo feito é que a guerra devia ser ganhada contra os nazistas. Relativamente ao tema de discusom, os EUA decidiram manter fechadas as suas fronteiras para a imigraçom judia e concordar com a posiçom britânica de nom libertar a Palestina paraa imigraçom judia.

Umha semana depois, o Comité Sionista Americano por um Exército Judeu publicou um anúncio no NYT condenando que atitude dos EUA na Conferência fora umha burla às promessas passadas realizadas ao povo judeu e ao sofrimento dos judeus sob a ocupaçom nazista.

Como resultado dessa Conferência criou-se um Comité Intergovernamental para os Refugiados para obter vistos de imigraçom para diversos lugares. Mantendo-se em princípios puramente humanitários e a fim de evitar questões políticas e controvérsias, o Comité excluiu das suas atividades a busca de vistos para a Palestina. Esta decisom recebeu pesadas críticas do Secretário do Tesouro norte-americano, Morgenthau.


Por enquanto, sem obter um abrigo seguro em qualquer país europeu, entre 1942 e 1943 milhões de judeus som assassinados polo nazismo nos campos de extermínio espalhados por toda a Europa.

12 de maio
Samuel Zygelbojm, militante do Bund judeu e membro do Conselho Nacional Polaco em Londres (governo polaco no exilo) suicida-se como protesto contra o mutismo dos aliados face o genocídio dos judeus.

Maio
Nahum Goldmann envia um relatório a Moscovo através do Presidente checoslovaco no exilo, Eduard Benes, no qual referiu que, em consonância com as teses da Agência Judaica, nom havia mais motivo para o antagonismo entre a Uniom Soviética e o sionismo e que era chegado o momento para umha revisom e o estabelecimento de relações de compreensom mútua.

Mais uma vez Ivan Maisky desempenhou um papel central na aproximaçom soviético-sionista. Poucos dias antes de sua partida para Moscou, Estaline e Molotov chamaram-no para preparar as futuras conferências de paz,  Maisky recebeu Chaim Weizmann em Londres. Ele disse que o governo soviético iria entender os objetivos sionistas e "certamente apoiá-los-ia”. Como durante a sua primeira conversa com Weizmann dois anos antes, no entanto, Maisky ainda estava preocupado com a capacidade de absorçom do Yishuv por causa do "tamanho pequeno da Palestina ".


Julho
H. Weizman propôs um plano ao Presidente Roosevelt, criado por John Philby (conselheiro britânico e confidente do rei Ibn Saud) e apoiado por W. Churchill para que o Ibn Saud assumisse a liderança dos países árabes em troca de a Palestina ser constituída num Estado judeu. Em troca de 20 milhões de libras, a Arábia Saudita teria de aceitar o reassentamento dos árabes palestinianos.

Agosto
Roosevelt enviou o coronel Hoskins, do Departamento de Estado, para se entrevistar com o rei Ibn Saud e comunicar-lhe a proposta. Ibn Saud respondeu cheu de raiva que fora insultado pola sugestom. Aliás, o rei saudita disse que nom poderia falar em nome da Palestina nem entregá-la aos judeus "mesmo se desejar, por um instante, considerar tal proposta". Hoskins disse ao rei que a promessa de pagamento estaria “garantida polo presidente Roosevelt”.

29 de agosto
Realiza-se a Conferência Judaica Americana com a participaçom de 65 organizações. A maoiria, de tendência sionista, apoia o Programa Biltmore. Porém, houve dissidências quanto à assumir o objetivo de fundar o Estado Judeu. Assim sendo, o presidente do Comité Judeu Americano (AJC, American Jewish Committe), Joseph M. Proskauer (juiz da Suprema Corte de Nova Iorque), apoiou umha outra resoluçom apelando para continuaçom da imigraçom para a Palestina, mas nom apoiou a criaçom dum Estado separado dos árabes.

Finalmente o CJA abandonou a Conferência mantendo a posiçom de apoio a um plano que tornasse o Mandato na Palestina numha administraçom internacional sob a responsabilidade  da Sociedade das Nações. Outros dissidentes fundaram o Conselho Americano para o Judaismo (American Council for Judaism, ACJ), um movimento partidário da criaçom dum estado democrático unitário no Mandato Britânico da Palestina e do sionismo culturalista, isto é, "o judaismo é umha religiom de valores universais e nom umha nacionalidade".

Logo a seguir, o American Zionist Emergence Council (AZEC) passou a ter a copresidência dos rabinos Abba Hillel Silver e Stephen S. Wisse. Criou-se umha rede de organizações para espalhar as ideias nom apenas o público em geral e os políticos, mas também os judeus nom sionistas. Além disso, desenvolveu-se a técnica de realizar manifestações de protesto envolvendo milhares de pessoas para chamar a atençom do público e divulgar o seu ponto de vista e propostas, identificando a solidariedade com os judeus como umha causa humanitária.

Setembro
Numha carta de Weizmann a Sumner Welles (conselheiro do presidente Roosevelt en política exterior) escreveu: "Concebido em grandes linhas, é largo de mais para satisfazer tanto as legítimas aspirações dos árabes e judeus, quanto os interesses estratégicos e econômicos dos Estados Unidos; ... bem gerido , o plano do Sr. Philby oferece uma abordagem que nom deve ser abandonada ".

Outubro
No caminho de Londres a Moscovo, Maisky parou no Egito e depois na Palestina onde ele pode ver com os seus próprios olhos os avanços sionistas. Ele ficou menos de dois dias na Palestina. Ele encontrou-se com o Alto Comissário Harold McMichael e David Ben Gurion.

Ben Gurion e Maisky, acompanhado da sua esposa e escoltado polo exército britânico e pessoal de inteligência, visitou dous kibbutz (quintas coletivas) perto de Jerusalém. Durante a conversa Maisky fez um comentário sobre o pós-guerra: "Depois da guerra, haverá um sério problema judeu e vai ser resolvido; temos de expressar umha opinião, é por isso que devemos saber. Somos informados de que nom há espaço aqui na Palestina, queremos saber a verdade, qual é a capacidade da Palestina? ". Depois de visitar o kibbutz, a delegaçom decidiu ir para o distrito judeu de Jerusalém, o que incomodou a segurança britânica. O interesse de Maisky no Yishuv foi umha surpresa para Ben Gurion: "Eu mal podia acreditar. Ele obriga-nos a agir -eis outro país que está a ter um interesse nesta questom".

O movimento sionista conseguiu o seu primeiro objetivo: envolver a URSS no destino da Palestina. Mas nom tinha qualquer garantia em relaçom à posiçom futura de Moscovo. Na véspera da rendiçom alemã, Stalin e Molotov foram confrontados com a escolha entre duas opções no Oriente Médio: a opçom árabe ou a opçom judaica.

Ainda assim, nesse ano um relatório dum alto diplomático soviético indicava que a URSS nom devia suportar o projeto sionista porque esse movimento podia ser interpretado com um ataque contra o Império britânico. Porém, apontava para a coexistência judeu-árabe no quadro dum poder dominado polos árabes.

Relativamente à questom árabe em 1943 o primeiro secretário da embaixada soviética em Ancara enviou um relatório a Moscou afirmando que o projeto de federaçom pan-árabe era mais o resultado da vontade dos britânicos do que dos círculos políticos árabes. Londres estava a promover este projeto para reforçar a sua dominaçom no Próximo Oriente, à que se opuseram os Estados Unidos. Várias semanas depois, outro diplomata soviético argumentava que a atitude soviética perante a criaçom dumha federaçom pan-árabe devia ser negativa: "Ele vai em contra dos nossos interesses". Com efeito, a diplomacia soviética interpretava o desenvolvimento dum movimento pan-árabe, nom só como uma expressom da rivalidade anglo-americana, mas também como umha ferramenta para parar a influência soviética no Próximo Oriente.

Os diplomatas árabes em Washington reagiram a cada açom empreendida polos sionistas. Em 1943 o ministro do Egito apresentou um memorando denunciando os "efeitos deploráveis" sobre o mundo árabe causados polas atividades dos sionisias nos EUA e alertou a respeito dos possíveis efeitos negativos sobre o esforço de guerra aliado.

Fontes
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